Diversas sinopses do filme o descreviam mais ou menos assim: "O Passado" é um filme sobre Remini (Gael Garcia Bernal), que não consegue seguir sua vida amorosa porque sua ex-mulher, com quem viveu por 12 anos, o persegue. Contudo, o longa mostra muito mais um homem perdido no meio de um monte de mulheres mal amadas, carentes e loucas. Enquanto uma o persegue, a outra tem ciúmes até de uma criança, e uma terceira o trata como um gigolô. Para completar, o roteiro começa bem, mas descamba no meio, até o ponto que o espectador pensa: "que diabos o Gael está fazendo numa academia de ginástica?"
O Passado (El Pasado), de Hector Babenco, 2007.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
O Passado
domingo, 28 de outubro de 2007
I'm Not There
Documentário, obra de ficção, entrevista para a TV? O filme-homenagem sobre Bob Dylan, é tudo isso. Como na múltipla vida do cantor americano, o roteiro de "I'm Not There" é múltiplo e se divide em partes independentes, cada uma contando diferentes fases da vida de Dylan com a ajuda de personagens que não são Dylan. É um trabalho de quebra-cabeça, de juntar as peças, que se mostra extremamente feliz, diferente e mais arejado que qualquer outra cinebiografia.
I'm Not There, de Todd Haynes, 2007.
sábado, 27 de outubro de 2007
Angel
Peço desculpas aos fãs de François Ozon, mas "Angel" não é bom. Por mais que se diga que o diretor faz uma homenagem aos melodramas de antigamente, não posso deixar de apontar que este filme é piegas até não poder mais. Mortes dramáticas, beijo na chuva, ascensões e quedas sociais... Sério candidato a passar na Sessão da Tarde daqui a uns anos, esse será o momento em que o cinema cult francês (falado em inglês) chegará às casas da população brasileira.
Angel (Angel), de François Ozon, 2007.
Santiago
Muito mais que um documentário sobre Santiago, o mordomo da família Unibanco, "Santiago" é um documentário sobre João e a relação de poder que existia entre o chefe e o empregado. É interessante assitir ao processo de filmagem lá em 1992 e ouvir as mea-culpas de hoje feitas pelo documentarista. Às vezes o documentário de então parecia mais uma brincadeira do filho do patrão, do Joãozinho, que decidiu filmar alguma coisa ou precisava fazer algum trabalho pra faculdade e acabou por encontrar a comodidade na sensacional figura de Santiago.
Santiago, de João Moreira Salles, 2007.
Sonhando Acordado
Parece que os críticos brasileiros combinaram de todos falarem mal de "Sonhando Acordado", novo do Michel Gondry, mas posso dizer que gostei do que vi. Um simpático Gael Garcia Bernal faz o papel de Stéphane, recém-chegado a Paris que irá se envolver com colegas de trabalho estranhíssimos e conhecerá sua vizinha tão estranha quanto, Stéphanie. Com exceção do título traduzido (que, como se não bastasse ser ruim, é repetido), o resto é bem bom: mergulhar no mundo de sonhos criado pelo diretor é praticamente mergulhar na nossa própria mente e nos nossos próprios sonhos.
Sonhando Acordado (La Science des Rêves), de Michel Gondry, 2006.
Morte do Presidente
"Morte do Presidente" era um filme que eu tinha curiosidade mórbida (com o perdão do trocadilho) desde que ouvi falar, no ano passado. Trata-se do documentário que explica com todos os detalhes a morte de George W. Bush e a investigação que se deu após o incidente. O presidente morreu assassinado em Chicago, no dia 19 de Outubro de 2007. Muito bem feito, mistura cenas reais com ficção e parece mesmo um documentário verídico, mas peca em algumas atuações.
Morte do Presidente (Death of a President), de Gabriel Range, 2006.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
À Prova de Morte
Em "À Prova de Morte", Tarantino conseguiu fazer um filme fiel ao próprio universo, com todos seus ingredientes: humor negro, sadismo, dancinhas, violência, e muitos diálogos inteligentes. O pretexto foi homenagear os filmes b dos anos 70, que utilizavam de erotismo e violência trash para atrair público. Muitos dos diálogos e cenas do filme parecem servir a um objetivo: fazer um grande final. E assim, mesmo que você não tenha se empolgado muito durante os ótimos diálogos, como: "Ei, Warren, quem é esse cara?", "É o dublê Mike", "E quem diabos é o dublê Mike?", "Ele é dublê", ficará alucinado com a cena de perseguição final. Isso se você não tiver nada contra o humor de Tarantino, claro!
À Prova de Morte (Death Proof), de Quentin Tarantino, 2007.
Viagem a Darjeeling
O filme do Wes Anderson, "Viagem a Darjeeling", é bacana, mas nada mais que isso. Começo a achar que seu estilo plástico, bonito e detalhista está chegando à fase de saturação. Seus cenários são sempre incríveis, mas acabam se tornando um pouco cansativos com o número de informações presentes ao mesmo tempo. Some-se a isso os personagens e a história e pronto: estafa. O grande problema é que se ele fizer algo diferente, vai ser acusado de, bem, ter feito algo diferente. Isso é complicado para alguém que também é acusado desde sempre de fazer o mesmo filme ano após ano.
Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited), de Wes Anderson, 2007.
PS: Há controvérsias quanto ao nome do filme em português. O título aqui utilizado é o da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No Festival do Rio a produção chamava-se "O Expresso Darjeeling".